terça-feira, 11 de junho de 2013

Brasil 247: Até Eike Batista se livra das ações da OGX

Do Blog do Prof. Pedlowski - Bloomberg informa: Ações da OGX escorregam e atingem recorde negativo


A Bloomberg acaba de publicar uma matéria que aponta para um novo recorde negativo no valor das ações da petroleira de Eike Batista, a OG(X). A razão dessa derrapada foi a venda de ações que o próprio Eike possuía como controlador principal da OG(X).

Segundo um analista entrevistado, os operadores do mercado estão começando a se perguntar porque o próprio Eike Batista está vendendo ações da OG(X) e essa seria a principal causa da abrupta queda no valor das ações da empresa.

Como já havia apontado em matéria anterior, a Bloomberg enfatiza a possibilidade real de que Eike Batista está tendo que vender suas ações simplesmente para ter dinheiro em caixa. E isso, convenhamos, é mais gasolina no incêndio que consome a confiança dos investidores na viabilidade das empresas "X".

Em tempo, cada ação da OG(X) valia hoje no início desta tarde algo em torno de R$ 1,22. Quem te viu, quem te vê OG(X)!



OGX Slumps to Record Low After Batista Divests Shares: Rio Mover


By Alex Cuadros & Juan Pablo Spinetto - Jun 11, 2013 1:16 PM GMT-0300


Eike Batista’s OGX Petroleo & Gas Participacoes SA (OGXP3) dropped to a record low after the Brazilian billionaire sold shares in his flagship oil producer for the first time. Bonds also plunged.

OGX slumped 5.4 percent to 1.22 reais at 1:11 p.m. after falling as much as 8.5 percent to the lowest since it started trading in June 2008. The stock was the most traded by volume and the worst performer on Brazil’s benchmark Ibovespa index. Yields on OGX’s bonds due in 2018 slid 8.7 cents to 49.04 cents on the dollar.

Eike Batista, chairman and founder of OGX Petroleo & Gas Participacoes SA, who has seen more than $28 billion of his net worth evaporate since last year, is selling off assets that include his Embraer Legacy 600 jet to raise cash as his startups pile on losses. Photographer: Jonathan Alcorn/Bloomberg

Batista, OGX’s controlling shareholder, sold 70.5 million shares between May 24 and May 29 for 121.8 million reais ($56.7 million), according to a regulatory filing yesterday. The divestment follows injections of at least 2 billion reais of his own cash into the company since the initial public offering.

“The market is now starting to ask why the controlling shareholder is selling his shares?” Lucas Brendler, who helps manage about 4 billion reais at Geracao Futuro Corretora, said by phone from Porto Alegre, Brazil. “This is the main reason why the stock is falling.”

Batista, who has seen more than $28 billion of his net worth evaporate since last year, is selling assets that include his Embraer Legacy 600 jet to raise cash as his startups accumulate losses. Last month, he raised 1.4 billion reais by selling a stake in power-generation venture MPX Energia SA (MPXE3) to Germany’s EON SE. Separately, OGX sold an $850 million stake in an oil field to Malaysia’s Petroliam Nasional Bhd.

Cash Warning

Excluding the options program that allows OGX management to buy shares from him as part of their compensation, it’s the first time Batista sold shares in his most valuable company since OGX’s 2008 IPO, data compiled by Bloomberg show.


GRAPHIC: Bloomberg Visual Data

“For him to sell at this level, he must really need the cash,” said Fabio Cardoso, a partner at Rio de Janeiro-based equity advisory firm Adinvest Consultoria, in a telephone interview yesterday. “It’s not a good sign.”

Batista is worth $6.3 billion, down from a peak of $34.5 billion in March last year, according to the Bloomberg Billionaires Index. The billionaire’s stake in OGX is worth $1 billion after the sale reported yesterday.

OGX may need to raise $1 billion from Batista through a put option to cover spending in 2014,Standard & Poor’s said in April after cutting the company’s credit rating. Under terms of the option, which expires May 2014, Batista would pay 6.3 reais per share, as much as four times the price he sold at last month.

All six Batista trading units dropped today as investors sold shares in Brazilian stocks amid faltering economic growth. While LLX Logistica SA (LLXL3), the tycoon’s port developer unit, lost 6 percent, the second-worst stock on the Ibovespa, his mining company MMX Mineracao & Metalicos SA fell 4.2 percent.

Batista’s holding company EBX Group Co. had no immediate comment on the sale of OGX shares, according to a spokeswoman who can’t be cited by name for internal company policy.


To contact the reporters on this story: Alex Cuadros in Sao Paulo atacuadros@bloomberg.net; Juan Pablo Spinetto in Rio de Janeiro atjspinetto@bloomberg.net
To contact the editors responsible for this story: Adriana Arai ataarai1@bloomberg.net; James Attwood at jattwood3@bloomberg.net

FONTE: http://www.bloomberg.com/news/2013-06-11/brazilian-billionaire-batista-sells-ogx-shares-for-first-time.html

Do Blog do Prof. Roberto Moraes: Fechamento da UCN no Açu?

O blog recebeu informações detalhadas sobre a decisão que o grupo EBX teria tomado no sentido de encerrar as atividades de implantação do estaleiro do Açu.

Para dar cumprimento a esta decisão, a OSX demitiria na próxima sexta-feira dia (14/06) 80% dos funcionários restantes da OSX, permanecendo apenas, aqueles que administrarão o ativo da empresa, num total aproximado de 60 funcionários.

Ainda neste processo, 90% dos funcionário da empresa terceirizada AGF, que ainda atua em apoio às atividades da OSX, também seria demitido, restando um quadro de cerca de 50 trabalhadores.

Ainda, segundo a informação obtida pelo blog, no dia 18/06, terça da semana que vem, o presidente e o diretor da OSX, iriam ao Açu, definitivamente, efetuar a demissão de gerentes e fechar as portas da Unidade de Construção Naval (UCN) da OSX.

Pelas informações, ao contrário, de antes que assegurava a continuação das obras em ritmo menor, aguardando definições da carteira de encomendas, todas as obras seriam paralisadas definitivamente e sem nenhuma perspectiva de reinício. 

Sobre os fornecedores a fonte do blog informa que muitos fornecedores já estão entrando com protesto contra a OSX, para receber o que considera seus direitos por dívida contraída em fornecimento de materiais e serviços e que, apenas com estes, a OSX estaria negociando valores e prazos.

O blog entrou em contato com a assessoria de Imprensa da OSX, às 13:45, mas até agora, não recebeu retorno, para também expor a posição da empresa.

Abaixo o blog posta imagens do seu acervo do entrono da área de implantação do estaleiro do Açu feita no dia 30 de maio de 2013. Se desejar ver as imagens em tamanho ainda maior clique sobre elas.



Vista Geral das obras do estaleiro (UCN) observando do litoral para o continente


Vista mais próxima de uma rua do entrono do estaleiro estando o Canal (Lagoa) do Veiga antes dos galpões em construção do estaleiro


Nova visão dos galpões em construção do estaleiro tendo no primeiro plano uma casa de veraneio "abandonada" e em processo de deterioração


Vista mais próxima dos galpões em construção nos limites do seu entorno na localidade do Açu


O contraste do uso (rural x industrial) no território no Açu

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Demissões no Porto do Açu atingem comércio de São João da Barra


Por Leonardo Ferreira 

O setor hoteleiro de São João da Barra passa por crise após demissões de funcionários da construção do Porto do Açu. Donos de hotéis e pousadas fizeram investimentos pensando em atrair os trabalhadores vindos de outras cidades para a obra do complexo portuário na cidade, mas as últimas demissões causaram prejuízo para quem vive do turismo.

De acordo com a Associação de Hotéis, Pousadas, Bares e Restaurantes de São João da Barra, as hospedagens tiveram redução de 50%. Quando se fala em alimentação, o movimento nos estabelecimentos caiu mais de 70%. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, nos últimos três meses, pelo menos 1.700 pessoas que atuavam nas obras do superporto do Açu foram demitidas.

O setor imobiliário também foi atingido. Das 120 casas alugadas por uma imobiliária para funcionários que atuavam no porto, 20 já foram entregues. Além disso, afetou também outros empreendimentos que estavam previstos, como novas pousadas e loteamentos, avaliados em R$ 10 milhões, e que agora não têm mais prazo para sair do papel.

A LLX, empresa responsável pelas obras do Porto do Açu e que pertence ao empresário Eike Batista, informou que é normal a mobilização e desmobilização de frentes de trabalho por causa da evolução de cada etapa da construção e que o cronograma da obra não foi alterado. O início da operação está previsto para este ano.

Em meio a toda essa crise, o Prefeito de São João da Barra esteve visitando o Centro de Visitantes do Complexo Portuário do Açu, no 5º Distrito, ontem (04). De acordo com Neco, São João da Barra está passando por um desenvolvimento social e econômico e, é importante o governo saber sobre o andamento do empreendimento para que o município possa estar preparado para as mudanças e trabalhar para o melhor da população.

O Portalozk.com tentou falar com o Prefeito Neco para saber sobre as demissões em massa, inclusive de nativos, porém, ele não atendeu o telefone e nem retornou. O mesmo aconteceu com sua secretária particular. Não atendeu aos telefones e não retornou.

Vale ressaltar que em 09 de maio, Neco informou com exclusividade ao Portalozk.com que dentro de dois meses a crise deveria acabar e tudo no Porto do Açu deveria se normalizar. Desde então, mais de 1.500 demissões ocorreram e, ainda, rescisões de contratos. Não houve mais nenhum pronunciamento com relação ao assunto desde então.

Na manhã desta quarta-feira (05), o vice-prefeito Alexandre Rosa divulgou programação do Circuito Junino (Veja Programação Completa). Na rádio comunitária em que fora divulgado a programação, os ouvintes ligaram e cobraram melhorias na área da saúde e educação. Esse fato foi de total constrangimento para todos na emissora. As informações são do RJ InterTv (2ª Edição) e Portalozk.com .

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Do Blog do Prof. Pedlowski: MMX anuncia adiamento de projeto estratégico para 2017!



Nesta 4a. feira a coisa caminhou bem diferente para Eike Batista e seus muitos fãs no planície goitacá. É que no dia de hoje, foi anunciado na coluna Radar online, do jornalista Lauro Jardim, o adiamento até 2017(!!) do projeto da mina de Serra Azul em Minas Gerais. Esse atraso traz também péssimas vibrações para o Porto do Açu, visto que pode deixar o principal terminal com perspectivas de embarcar moscas e não minério de ferro por um bom tempo. 

Pelo que se vê, o prazo otimista divulgado pelo prefeito de São João da Barra parece cada vez menos exequível em termos do retorno da normalidade ao Complexo do Açu.

Projeto adiado
Eike: mais um projeto em dúvida

A mineradora MMX, de Eike Batista, adiou o projeto da Mina de Serra Azul, em Minas Gerais, o principal em execução da empresa. A previsão que a operação iniciasse em 2014. Foi adiado para 2017. Oficialmente, a empresa culpa a liberação da licença ambiental pelo atraso.

Por Lauro Jardim

Blog do Prof. Roberto Moraes informa: Mais demissões no Açu

O blog recebeu a conformação por leitores que pedem para não serem identificados sobre novas demissões hoje na empresa AGF que atua no fornecimento de mão de obra diversas, incluindo fiscalização da construção e outras, jornalistas da assessoria de imprensa entre outras atividades.

Foto de 30-05-2013 - Trabalhadores da ICEC aguardando rescisão de contrato de trabalho

Na última quinta-feira, mesmo sendo feriado de Corpus Christi, o blogueiro pode ver e conversar com trabalhadores, em frente ao alojamento da empresa de montagens industriais, ICEC, próximo à localidade Água Preta. Os trabalhadores estavam aglutinados aguardando a assinatura na rescisão de suas carteiras de trabalho.

Na ocasião fui informado que na véspera haviam sido demitidos 490 trabalhadores, e na própria quinta-feira (30/06), outros, cerca de 100 trabalhadores seriam dispensados. Pelas informações obtidas restariam poucos trabalhadores desta empresa no Açu, e que os mesmos seriam dispensados no próximo dia 15/06.

A maioria dos trabalhadores da ICEC são de soldadores e montadores e um número pequeno de eletricistas. Ao contrário do que a firma divulgava, segundo os trabalhadores, a grande maioria era de fora de nossa região a maioria da Bahia e do Ceará.

Eles mesmo se intitulam "peão-de-trecho" que se configura por aqueles trabalhadores que rodam por diversas regiões do país, atrás de empregos em obras, sendo "fichados", quase sempre em grandes obras de infraestrutura. Um veículo de um deste trabalhadores tinha placa do Rio Grande do Sul.

Os trabalhadores se mostravam preocupados com os valores da rescisão já que praticamente todos tinham menos de um ano de trabalho na ICEC. Alguns apenas dois a três meses. Segundo os mesmos, os salários eram em torno de R$ 1,5 mil, mais ajuda para moradia de R$ 300, para os que não ficavam no alojamento e outros R$ 200 de "permanência". Uns reclamavam de não serem representados pelo sindicato no acompanhamento da demissão e outros, da própria atuação do sindicato.

A foto acima mostra o alojamento da ICEC e com os trabalhadores aguardando a rescisão. Abaixo email do trabalhador da empresa AGF preocupado com seus direitos e reclamando apoio:

"Boa tarde Roberto, sou leitor assíduo de seu blog e gostaria de saber se você poderia sanar algumas dúvida referentes ao porto do Açu.

Fui demitido hoje da empresa AGF Engenharia Consultiva que prestava serviço direto para a OSX, num total foram demitidos 84 funcionários hoje (04-06-13), muitos já com a experiência vencida e muitos com experiência ainda por vencer.

A questão é a seguinte: Quais os direitos que ambos os trabalhadores terão sobre essa demissão?
Tanto os que já passaram a experiência quanto os que ainda não a tiveram vencida.

Outra questão é que o tickets de refeição e de café da manhã sofreram reajustes a aproximadamente um mês e meio e não foram repassados para nós a diferença tendo os funcionários que retirar dinheiro do próprio bolso para completar as refeições.

Há também a questão das horas "in itinere" que diz o seguinte:
"As horas “in itinere” são horas extras; porém não são aquelas prestadas no local de trabalho. Este tipo de hora extra se caracteriza no trajeto do empregado quando se desloca de sua residência ao trabalho e vice e versa.

Se o empregado utiliza seus meios próprios ou se o local onde trabalha é servido de transporte público regular, estas horas extras referentes ao percurso são indevidas.

Já quando o empregador fornece o transporte porque não existe transporte na região para que o empregado consiga chegar ao trabalho ou voltar a sua residência, será caracterizado o tempo gasto pelo empregado do trajeto de ida e volta do trabalho como horas “in itinere”.

Foi instituído legalmente esse direito na Consolidação das Leis do Trabalho, quando o artigo 58, parágrafo 2º foi alterado pela lei 10.243 de de 19/06/2001. A edição da lei foi resultado de várias decisões dos tribunais trabalhistas e da Súmula 90 do Tribunal Superior do Trabalho que foi editada em 1978, sendo posteriormente alterada em 2005, incorporando diversas outras situações e esclarecendo quando são ou não devidas as horas “in itinere”.

Vale esclarecer também que não importa se o transporte fornecido pelo empregador é gratuito ou pago de forma parcial pelo empregado para o reconhecimento do direito às horas “in itinere”.

Muitos empregadores desconhecem também que a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho entende que por aplicação analógica da Orientação Jurisprudencial Transitória nº 36 da SBDI-1 o tempo despendido pelo empregado entre a portaria da empresa e o efetivo local de trabalho como horas “in itinere”, por caracterizar tempo à disposição do empregador."

Gostaria de ressaltar também que a nossa folha de ponto não era preenchida por nós funcionários e sim pelo preposto da empresa.
Vejo isso como sendo arbitrário.
Gostaria que você publicasse isso em seu blog tentando buscar respostas com alguém do ministério do trabalho, para que fossem sanadas as nossas dúvidas.

Peço que esse e-mail seja publicado de forma ANÔNIMA.

Grato pela atenção dispendida a este meu e-mail e parabéns pelo blog que nos traz de forma clara e objetiva o que acontece em nossa região e no país."

Blog do Prof. Roberto Moraes entrevista demitido das obras do estaleiro da OSX para sentir a percepção de um trabalhador sobre o Complexo do Açu e seus problemas

O blog objetivando oferecer aos seus leitores um outro lado da questão da interrupção (redução) das obras no Complexo do Açu ouviu um trabalhador recém demitido. O blog também atendendo à solicitação do trabalhador ouvido decidiu manter sua identidade preservada, no sentido de evitar represálias no mercado de trabalho e também para permitir que sua fala seja livre.

O entrevistado possui formação acima da função que desempenhava no trabalho das obras do Açu. É novo, mas, já com uma boa noção de mundo. O sofrimento e a frustração das expectativas é perceptível, assim como, a identificação clara dos impactos causados pela implantação do empreendimento. Sobre sua demissão disse preliminarmente: “pedi demissão do meu antigo emprego para ir para lá. Foi a maior covardia o que eles fizeram pois esse caos não surgiu de um dia para o outro, não tenho como provar mas dentro de mim diz que eles contrataram sabendo já desses problemas, mas achavam que iria melhorar. Como diz o famoso ditado "contaram com o ovo da galinha".

Abaixo a entrevista na íntegra:

Blog: Em quais áreas a AGF atua(va) no Complexo do Açu? 

Trabalhador do Açu: Engenharia, consultoria, SMS, logística, Administrativo, apoio técnico etc.

Blog: Qual o efetivo que a AGF chegou a ter, mesmo que em números aproximados? 

Trabalhador do Açu: Quando entrei tinham exatos 296 funcionários.

Blog: De onde é a AGF? 

Trabalhador do Açu: Araucária - Paraná http://www.agfengenharia.com.br/index.htm

Blog: Qual o percentual de pessoas da região e de fora que trabalha(vam) na AGF? Permaneceu alguém? 

Trabalhador do Açu: Percentual de fora e da nossa região não sei, só sei que tem hoje 33 funcionários na AGF.

Blog: A AGF trabalhava só para a OSX, ou para mais alguma empresa do grupo? 

Trabalhador do Açu: Lá no estaleiro só para a OSX, porém no Brasil ela presta serviços para outras empresas - http://www.agfengenharia.com.br/clientes.htm

Blog: Qual o motivo alegaram para a dispensa de vocês? O que disseram? Comentaram sobre possibilidades de retorno? 

Trabalhador do Açu: Demitiram-nos, pois não há serviços, não haverá construção de navios ou de módulos. E pelo andar da carruagem o estaleiro vai fechar as portas. Possibilidade???? Eu acho que quase nenhuma eu não vejo futuro neste estaleiro com a atual gerência e administração e com o nome da OSX, é um descontrole total de gastos, só para você ter ideia o papel que serve para colocar na tampa do sanitário tem forma de coração, peças e mais peças jogadas ao léu enferrujando, sacos de cimento pegando chuva e endurecendo, mas são sacos e mais sacos 1000, 2000..., funcionários andando de carro CRUZE zero em um lugar que tem poeira, maresia e nenhum asfalto, sendo que esses carros são para o serviço e rodavam no dia a dia na cidade de Campos e região para uso pessoal com gasolina sendo paga pela OSX. Eles estavam oferecendo salários exorbitantes e oferecendo o que eles chamam de pacote ou seja tirava o funcionário da cidade, estado dele e pagava tudo desde casa até colégio dos filhos.

Aí te pergunto: uma obra que está tendo só investimento e lucro zero se há procedimentos como esses supracitados o que vai acontecer???? 

Quebrar. Se você ganha 5000 por mês e gasta 6000 você vai falir, você vai dever e foi o que aconteceu e está acontecendo. 

Tem coisas que estão sendo devolvidas por falta de pagamento e que não há possibilidade de ocorrer esses pagamentos.

Falaram que se houver um retorno eles entrariam em contato conosco para retornar, mas não acredito e uma empresa dessas, perde a credibilidade com os funcionários que por lá passaram. O que eu não entendo é como que uma pessoa que faz faculdade tem any anos de experiências na área e não consegue administrar, para mim só tem duas explicações ou são burros ou incompetentes. Desculpe pelo linguajar.

Blog: Muito se tem ouvido falar sobre descontroles no gerenciamento das obras tanto do porto quanto do estaleiro. Com a sua participação pode falar algo sobre isto? 

Trabalhador do Açu: Respondi na pergunta anterior

Blog: O que acredita que vá acontecer com o projeto do Porto?

Trabalhador do Açu: Eu não acredito em futuro do porto do Açu com o grupo EBX a frente. Caso o governo não entre com $ não vejo futuro, ou alguma outra empresa compre a maioria das ações, coisa que acho difícil o Eike fazer.

Minha opinião é que o governo deveria entrar com providências, pois ali além de gerar milhões de empregos diretos e indiretos, vai desafogar a malha rodoviária que é horrível em nosso país, desafogando também os portos de Santos, de Vitória, etc. e vai ajudar no crescimento das exportações aumentando o PIB, e por ai vai, você sabe disso melhor do que eu rs,rs,rs...

Blog: O grupo EBX gerou muitos impactos para a região. Chegaram a cogitar um projeto de Gestão Integrada do Território para se relacionar com as pessoas e instituições. Agora com a dissolução da diretoria de sustentabilidade e demissão da grande maioria (praticamente a totalidade) dos técnicos e gestores que lidavam com o assunto, o que você acha que vai acontecer?

Trabalhador do Açu: Vai ficar tudo como está e essa história de que a sustentabilidade vai ajudar essas pessoas é balela. Os impactos causados nas vidas e no ecossistema não terão como recompensar nem amenizar esses impactos causados. Em ecologia tem uma palavra chamada de resiliência que é quando a natureza dá a volta por cima se não houver mais impacto. Mas e as pessoas que ali moravam e tinham somente a terra como forma de subsistência, foi um impacto na moral e na alma. Progresso passando por cima das pessoas e da natureza não é progresso é uma forma de violência, costumo dizer que isso é um estupro a moral e a ética. (Pois para mim o estupro é a forma mais nojenta de violência).

Blog: O que você poderia dizer sobre o trabalho da empresa Acciona?

Trabalhador do Açu: Não conheço o trabalho da Acciona porém o que vejo é que eles atuam na área de construção civil e na parte do porto eu trabalhava no estaleiro. Acho que a Acciona é uma empresa boa e que os "tumultos" que aconteceram foi devido a falta de repasse de $ por parte da OSX, e muitos trabalhadores estavam lá sem trabalhar só recebendo, comendo e bebendo e isso deu problema. Porém vendo de fora acho uma boa empresa

Blog: Poderia dizer quais empresas estão sendo cogitadas para vir atuar nas obras do estaleiro e do porto? Falam numa disputa de consórcios de empresas estrangeiras contra outro de empresas nacionais. Isto procede?

Trabalhador do Açu: Sim dentre elas estão a espanhola FCC; a NOV National OilWell Varco; Integra, Technip, Odebreche, Mendes Junior.

Blog: O que mais você gostaria de falar?

Trabalhador do Açu: Primeiro eu gostaria de agradecer a sua atenção dispendida a meus interesses, agradecer por você ter desenvolvido um blog que fala com coerência e imparcialidade levando informação a população. E pedir mais uma vez que fique tudo no anonimato. E dizer que foi um prazer conversar com uma pessoa tão inteligente e interessada em passar a verdade. Parabéns continue assim e caso possa passar essas denúncias para o MTE ficarei grato. E se souber de algum emprego fale comigo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sustentabilidade em risco e menos 50 funcionários da EBX no Superporto


Carlos Grevi/Vagner Basilio

sindicato estima que mais de 1 mil pessoas foram dispensadas

O jornal Valor Econômico anunciou na tarde desta segunda-feira (03/06) que o Grupo EBX teria extinguindo sua diretoria de Sustentabilidade demitindo os mais de 50 funcionários ligados diretamente a área, inclusive Paulo Monteiro, então diretor do segmento, que perdera o cargo e estaria assumindo a condição de consultor do grupo.

Questionada, a companhia informou via assessoria de imprensa ao Valor Econômico que “não vai comentar” o assunto. Demais áreas como tesouraria, jurídico e suprimentos também sofreram cortes.

Já a OSX, também empresa do Grupo EBX, anunciou demissões recentemente, que acompanharam segundo a assessoria uma reformulação do plano de negócios da empresa.

A OSX, que constrói um estaleiro no Porto do Açu, em São João da Barra, informou em 8 de maio que dispensou cerca de 150 profissionais próprios, ligados diretamente às atividades do estaleiro (UCN Açu).

Mas notícias não oficiais dão conta de que cerca de 1000 funcionários ligados a empresas contratadas pelo Grupo EBX já teriam sido demitidos e a grande maioria, do nordeste brasileiro, retornando para suas cidades.

MINISTÉRIO DO TRABALHO NO PORTO

Uma equipe de fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) se alojou em meados de maio no Superporto do Açu para vistoriar denúncias contra direitos trabalhistas dos funcionários do complexo. A medida foi tomada após denúncias encaminhadas pelo Sindicato dos Trabalhados da Indústria e Construção Civil.

Entre as denúncias feitas estavam atraso no pagamento dos salários dos funcionários das empresas terceirizadas, que chegaram há três meses, trabalhadores alojados no Porto mas sem trabalhar, e uns sem mesmo saber onde fica o complexo. Ainda havia a denuncia de não cumprimento da convenção coletiva e até mesmo falta de pagamento do reajuste desde o mês de fevereiro.

No final de mês de maio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) anunciou a instauração de uma representação para apurar como estavam sendo conduzidas as demissões por empresas que operam no Porto do Açu, com a condução da Procuradoria do Trabalho em Campos, apurando a possível falta de negociação prévia às dispensas.

As demissões estão concentradas nas obras do estaleiro da OSX, braço de construção naval da EBX, holding que reúne as empresas de Eike Batista.

Localizado dentro do Açu, o estaleiro empregava até o início de 2013, entre contratações diretas e indiretas, cerca de 3 mil pessoas em suas obras.



Nos últimos meses, porém, pelo menos 800 funcionários foram demitidos. A OSX confirma apenas a dispensa de 315 dos 575 contratados diretos. A companhia informou que "com o ajuste da equipe de colaboradores da OSX, serviços de apoio e terceirizados também passam por adequações".

A LLX, responsável pelo Complexo Industrial do Açu, informou que realizou apenas dispensas pontuais decorrentes do fim de etapas de construção. Ao todo, foram dispensadas 50 pessoas em 2013.

A decisão do MPT foi tomada a partir de informações prestadas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário em Campos, em uma audiência realizada no dia 27 de maio. As empresas contratadas para tocar a obra foram convocadas, mas não compareceram.

O Sindicato estima que mais de 1 mil pessoas foram dispensadas.

REDAÇÃO / JORNAL VALOR ECONÔMICO

Mais de oitenta funcionários da AGF Engenharia demitidos no Porto do Açu

Por Leonardo Ferreira

As primeiras informações que chegam a redação do Portalozk.com dão conta de que houve demissão de mais de oitenta funcionários da empresa AGF Engenharia no Complexo Portuário do Açu, no 5º Distrito de São João da Barra, nesta terça-feira (04). A informação foi confirmada pela assessoria em exatas 86 demissões. Em nota, a empresa OSX, do empresário Eike Batista, informou que:

A OSX está realizando adequações no quadro de colaboradores próprios e terceiros alocados na implantação do estaleiro da companhia no Açu, tendo em vista o faseamento das obras do empreendimento divulgado no novo Plano de Negócios da companhia”.

Do blog do Prof. Roberto Moraes: entrevista com o advogado da ASPRIM


Para entender melhor a decisão da 2ª Instância da Justiça Federal da semana passada, noticiada aqui pelo blog, a respeito o licenciamento das obras do Complexo do Açu, especialmente do estaleiro da OSX na área de restinga, e também da relação disto com as desapropriações, resolvemos entrevistar o advogado da Asprim (Associação dos Produtores Rurais de Imóveis e Moradores do Açu), Cristiano Pacheco. Ele tem formação de mestre em Direito Ambiental pela UCS, especialista em Direito Ambiental pela UFPEL, é atua também como professor, além de advogado.

Como as respostas ficaram muito extensas o blog resumiu para publicação abaixo, porém a entrevista na íntegra pode ser lida aqui:

Blog: Considerando a negativa permanente sobre a análise sobre os impactos cumulativos da sinergia dos empreendimentos do Complexo do Açu, o que pode significar esta decisão no TRF?

Cristiano: A decisão do TRF mantém os efeitos da liminar deferida pelo Juiz Federal Vinícius Vieira Indarte, da 1ª Vara Federal de Campos, contra o Ibama. Com isso o Ibama continua obrigado a fazer auditoria no processo administrativo do Inea que concedeu Licença de Instalação em favor da Unidade de Construção Naval – UCN da OSX.

Além disso, o Ibama continua tendo que auditar a área de restinga cortada para a instalação da OSX, indicando a totalidade da área já cortada e até que data teria sido cortada. Isso esclarecerá numericamente o quanto foi cortado dentro da área de preservação permanente – APP. Pelo parecer da Associação dos Geógrafos do Brasil – AGB, anexado ao processo, uma grande parte da área destinada à instalação da UCN da OSX possui vegetação de restinga, ou seja, é especialmente protegida por lei. Haveria uma restrição de espaço importante.

O único êxito do recurso do IBAMA foi retirar a multa diária em caso de descumprimento da liminar. Há entendimento de que não seria correto o IBAMA pagar multa diária uma vez que quem estaria pagando, no fim, seria o povo. Mesmo que muitas pessoas não atentem para isso, a instituição IBAMA e seus servidores são mantidos pelos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros e isso inclui, é claro, os moradores de São João da Barra e entorno.

A identificação dos impactos sinérgicos continua sendo uma grande interrogação. A decisão que mantém a obrigação do IBAMA em auditar o licenciamento e as obras da UCN-OSX pode ser um um bom começo para o esclarecimento. Danos em uma área costeira delicada e bem preservada como a da região sempre trazem efeitos ecológicos sinérgicos e consideráveis, e isso é um dos pontos que minha cliente, a Asprim, ataca na ação judicial. O EIA/RIMA é obrigado a explicar isso com clareza, mas não é o que acontece. As empresas X não chegam nem perto disso no licenciamento.

Os dados levantados pelo Ibama nessa auditoria proporcionarão o acesso a dados técnicos e provas que servirão de subsídio para uma provável indenização, caso haja condenação judicial contra as empresas X, com base em cálculo ecossistêmico e responsabilidade civil ambiental por participação de outras empresas e instituições envolvidas, como é o caso do BNDES.

Blog: Pode-se afirmar que a decisão judicial obriga o Ibama a fiscalizar as obras de implantação do Complexo do Açu?

Cristiano: A decisão liminar obriga o Ibama a fiscalizar apenas as obras da UCN da OSX, no que refere à supressão de área de restinga destinada à sua supressão. O pedido da Asprim é de embargo de todo o empreendimento, já que entende existirem problemas graves no Estudo de Impacto Ambiental, que contaminariam as licenças deferidas. O magistrado entendeu que a necessidade de embargo total só poderia ser provada no transcurso da ação e não seria caso de deferimento antecipado de liminar. Esse foi outro ponto: provar com base em quais dados se o Estudo Ambiental era omisso na maioria dos pontos? Havendo omissão e risco evidente, o habitual é invocar o Princípio da Precaução. Foi isso que minha cliente fez, mas para o Juiz os elementos apresentados não foram suficientes para embargar o resto das obras.

Antes do empreendimento chegar, a região possuía uma das mais bem preservadas áreas de restinga do país, o que seria mais um bom motivo para um licenciamento cuidadoso, inclusive contemplando o Princípio da Precaução.

Pelas informações disponíveis no processo judicial, uma boa parte desta área já teria sido suprimida antes do deferimento da liminar. A auditoria do Ibama esclarecerá isso. Aliás, boa parte das obras foi feita durante o longo ano que se passou se discutindo na justiça a competência do Juiz para julgar a liminar. Vale lembrar que as liminares foram distribuídas em caráter de urgência, pessoalmente por mim, minha cliente, Juiz Federal e MPF.

Caso haja condenação, como referido acima, a auditoria do Ibama será importante para iniciar a quantificação dos danos, o prejuízo na função ecológica e geológica que a restinga presta ao meio ambiente local, as lagoas, quantos animais ali viviam e morreram e quantos deixarão de nascer por causa dos danos, qual o impacto desses animais nos ecossistemas na condição de polinizadores da restinga, danos e riscos às espécies vivas interdependentes, amaçadas, sobre-explotadas, a salinização das lagoas doces, a possível contaminação do lençol freático, a qualidade de vida da comunidade afetada, assim por diante.
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Voltando para a decisão, mesmo que esteja em discussão a competência do Inea para licenciar, nada impede que o Ibama atue como fiscalizador. A lei assim permite e nesse ponto pareceu bastante correta a decisão, confirmada pelo TRF. O Ibama deve recorrer, mas não acreditamos que a decisão será revertida nesse ponto.

O Inea não deveria temer essa fiscalização, até mesmo porque o Ibama só tem a ajudar, tem muito mais experiência em licenciamentos em área costeira do que o Inea. Uma pena mesmo foi o fato do primeiro Juiz Federal Dr. Elder Fernandes Luciano, da 1ª Vara Federal de Campos, ter se manifestado incompetente para julgar as liminares em 08.02.12, quando a Asprim despachou referindo a urgência e o risco de danos ambientais, que já estavam acontecendo. Com a manifestação de incompetência para julgar, o processo foi remetido para a Vara Federal do Rio de Janeiro, depois ao TRF 2, para então só depois voltar para a Justiça Federal de Campos onde a Asprim havia ingressado com a ação, um ano antes.

Blog: Qual a expectativa dos autores (Asprim) com esta ação e com estas duas decisões favoráveis?

Cristiano: O embargo das obras da OSX foi importante pois sinalizou obscuridades no licenciamento, a começar pelo que você bem mencionou, os impactos ambientais sinérgicos. Na forma digamos assim “mastigada” e fragmentada do Estudo de Impacto Ambiental, não é possível apontar qual o somatório dos impactos e isso viola a lei. São 11 tipos de impacto, alguns de nível gravíssimo como petróleo refinaria e mineração, envolvendo mais de uma dezena de empresas a ocupar o patio industrial. Isso pelo menos conforme o projeto inicial que consta no EIA/RIMA.
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Precisamos admitir que muitos licenciamentos acabam intencionalmente tapeando a população afetada, pecam pela falta de informação, clareza. Adotam o arcaico estilo pro forma, levando à população pouco ou nada sobre as consequências que estão em jogo.

O EIA do Distrito Industrial do Acú tem exatamente esse DNA. Em alguns trechos lembra aqueles manuais sobre biomas brasileiros que distribuem em congressos e palestras. Descrevem com detalhes a vegetação de restinga, as lagoas e animais que ali habitam, porém esquecem de explicar o mais importante, ou seja, os impactos envolvidos, os riscos de salinização das lagoas, os danos causados pelo emissário marinho de resíduos, a frequência e intensidade das dragagens, seus impactos marinhos e costeiros, e assim por diante.

Os impactos ambientais precisam estar claros no licenciamento, precisam ser de fácil compreensão por aqueles que justificam sua existência: a sociedade. Ao falar de meio ambiente falamos de direitos coletivos. Esse espírito de informação e clareza buscado na ação judicial, não se trata de mera implicância da Asprim, mas sim uma obrigação legal prevista na Resolução 237 do Conama e na Constituição Federal. Não se trata de ser contra o empreendimento, mas sim contra a locação escolhida e os critérios que autorizaram as licenças.

Blog: A decisão traz alguma repercussão para os pequenos proprietários rurais atingidos pela salinização do solo?

Cristiano: A decisão, como já dito acima, é direcionada à área de instalação da UCN da OSX. Ainda é cedo para prever o que pode acontecer, tendo em vistas as inúmeras obscuridades em torno do empreendimento. Quanto aos efeitos da salinização talvez melhor a visão de um técnico, se há forma de remediar os danos, em que parcela isso é possível e se é possível. Ao que tudo indica, já existem danos indenizáveis. No campo jurídico aconselhei aos associados da Asprim ficarem atentos às desapropriações, aos obrigatórios mandados de imissão de posse que precisam ser apresentados no ato da desapropriação. Aconselhei a acompanharem de perto a situação e os próximos andamentos.

A ação que a Asprim move não deixa de atacar indiretamente as desapropriações, a pertinência delas pois estão ocorrendo dentro da área do projeto do Distrito Industrial. Uma considerável parte dos 7.200 ha anunciados para o empreendimento é de preservação permanente, protegidos por lei ambiental federal, sem referir a área costeira, lagoas, entorno afetado, impactos sinérgicos, etc.

A Asprim ingressou com uma segunda ação civil pública na Justiça Federal de Campos. Infelizmente ela está tomando o mesmo rumo da primeira, ou seja, o magistrado se manifestou incompetente para julgar e remeteu para a Justiça Estadual do Rio de Janeiro. Se trata de um novo pedido liminar de exibição de documentos contra a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro – CODIN e Inea, onde a Asprim solicita a lista completa de despropriações feitas até o presente momento, as que estão em andamento e as demais programadas. De posse dessas informações, que curiosamente vem sendo negadas pelo Codin desde abril de 2012, a Asprim ingressará com novas medidas contra o licenciamento.

Blog: O que mais pode ser interpretado desta decisão em instância superior à local?


Cristiano: O caso é complexo e a Asprim precisou agir rápido com o que tinha em mãos, pois as obras já haviam iniciado. A associação focou nos problemas mais graves e onde parecia haver mais chances de embargo.

Um dos pedidos liminares era a suspensão das dragagens da OSX para abertura do calado marinho, até que o EIA/RIMA fosse complementado. Essa obra era sem dúvida uma das mais impactantes ao ambiente, e uma das mais polêmicas também.

Na primeira reunião com a Asprim fiz questão de conhecer pessoalmente as obras. Eu e o Rodrigo, vice-Presidente da Asprim, filmamos e fotografamos o início da dragagem do calado da OSX, quando era apenas um pequeno córrego cruzando a restinga.

Um ano de burocracia processual foi o necessário para que o canal ficasse pronto. Daí ocorre o tal “fato consumado”. Perde o sentido discutir o embargo de uma obra, pois ela já está pronta, restando apenas apurar eventual indenização, ou compensação, caso se consiga provar algo ilegal.

As ações ambientais movidas por ONGs em grande maioria são movidas quando o dano já está acontecendo. O ideal é questionar os licenciamentos quando ainda estão no órgão ambiental, ou quando recém foram publicados. A demanda judicial não é a única via de cumprimento da lei, muito menos a mais forte, como muitos pensam. É preciso combiná-la com debates, protestos, articulação e pressão na mídia. A Asprim começou muito bem essa articulação. Organizou um debate convidando as empresas, diretores, Governo do Estado do RJ, Codin, órgãos ambientais, MP e até mesmo o Sr. Eike Batista. Claro que ninguém foi, apenas os proprietários comparecerem. Nem mesmo o Ministério Público compareceu.

Funcionou melhor do que se todos tivessem comparecido. O evento foi uma verdadeira bomba na mídia eletrônica, pois a ausência em massa demonstrou que algo andava muito mal. A Asprim jogou isso contra as empresas, Inea e Codin. As estratégias precisam ser montadas, arquitetadas. A judicial é só uma das ferramentas. Ela sozinha tem se mostrado insuficiente, ainda mais quando falamos de empreendimentos desse porte, com amplo apoio do Governo Federal.

Blog: Quanto ao licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Brasil, haveria alguma comparação interessante a fazer com o caso do Distrito Industrial do Açu?

Cristiano: Há uma comparação interessante a ser feita com o caso clássico da Hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia. Uma das semelhanças mais marcantes – além do altíssimo risco ambiental e social - é a falta de esclarecimento técnico sobre a totalidade dos danos e os impactos sinérgicos. Falo também dos impactos daqui a 100, 200, 700, 10.000 anos. Essa previsão é necessária já que a Constituição fala em gerações futuras, certo? Futuras gerações e passivos ambientais futuros são uma grande interrogação e inconveniência em ambos empreendimentos, não esclarecidos pelo EIA/RIMA.
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A tentativa de instalação do Porto do Açú mal começou e já abriu fissuras e rendeu artigos acadêmicos em congressos nacionais e internacionais, inclusive junto a evento do Banco Mundial, em Washington, Estados Unidos. É importante denunciar quando há ilegalidades. Todos ganham com isso, até mesmo os empreendedores que aprendem à força a abandonar velhos hábitos, tendo aos poucos que substituir consultores superados por técnicos mais capacitados, modernos e sintonizados com o tempo em que vivemos.

Como diz Henrique Leff, “a modernidade questiona as próprias bases da produção”. É esse o desafio das empresas. É preciso encará-lo com honestidade e sem ingenuidades, conscientes do tamanho do problema e das inúmeras dificuldades produtivas que precisaremos enfrentar se quisermos mesmo conciliar crescimento com qualidade de vida e prosperidade. Os licenciamentos ambientais são como o Direito, um fenômeno social. Eles precisam acompanhar o tempo, não caminhar contra ele, como é o que parece tentar fazer o Distrito Industrial do Açu e as polêmicas empresas X.